
Especialistas em Obstetrícia e Neonatologia do Ânima Centro Hospitalar detalham a importância da "hora de ouro", desmistificam o mito do "leite fraco" e reforçam a segurança do atendimento integrado entre Maternidade e UTI Neonatal
Anápolis (GO), agosto de 2026 – O mês de agosto é marcado mundialmente pela campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Mais do que um gesto de afeto, a amamentação é uma intervenção de saúde pública de alto impacto. Dados de um estudo publicado na revista científica The Lancet e endossados pela Unicef revelam que a ampliação da amamentação tem o potencial de salvar cerca de 820 mil vidas de crianças por ano no mundo, reduzindo em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis.
No Ânima Centro Hospitalar, integrante do Grupo Santa, o incentivo ao aleitamento começa ainda no pré-natal e se estende por toda a jornada do pós-parto e do acompanhamento neonatal. Para guiar as famílias de Anápolis e região, o médico obstetra e ginecologista Dr. Gabriel Miguel e a médica pediatra e neonatologista Dra. Gina Tronconi detalham os aspectos fisiológicos, imunológicos e emocionais envolvidos nesse processo.
A "hora de ouro" e a proteção para a mãe
O sucesso do aleitamento começa nos primeiros minutos de vida, na chamada Golden Hour ("hora de ouro"), momento em que o recém-nascido é colocado em contato direto pele a pele com a mãe ainda no centro obstétrico.
"O contato pele a pele na primeira hora acalma o bebê e desperta o instinto natural de sucção. Para a mãe, esse momento estimula a liberação de ocitocina — hormônio que ajuda o útero a contrair, reduz o risco de hemorragias e dá o estímulo inicial para a produção de leite. No pós-parto imediato, o ato de amamentar faz o útero retornar ao tamanho normal mais rapidamente. A longo prazo, a amamentação atua como um fator de proteção importante, diminuindo significativamente as chances de a mulher desenvolver câncer de mama, de ovário e diabetes tipo 2", explica o obstetra Dr. Gabriel Miguel.
O especialista também desmistifica uma das maiores ansiedades vivenciadas pelas mães no início da maternidade: o medo da escassez ou de produzir um alimento insuficiente.
"Não existe leite fraco. O colostro — primeiro leite — sai em pequena quantidade exatamente porque o estômago do recém-nascido é do tamanho de uma noz. No Ânima, nossa equipe apoia a mãe no ajuste da pega correta, reduzindo a ansiedade e garantindo um processo seguro e sem dor", reforça o Dr. Gabriel Miguel.
"Substância viva": o colostro como primeira vacina e o suporte à UTINeo
Sob a ótica neonatal, o leite humano é compreendido como uma estrutura biológica dinâmica e insubstituível. A médica pediatra e neonatologista da UTI Neonatal do Ânima, Dra. Gina Tronconi, destaca a riqueza imunológica das fases da amamentação e aborda o uso de leites complementares sem indicação estrita.
"O leite materno não é apenas uma fonte de nutrientes, é uma substância viva de grande complexidade biológica. O colostro é considerado a primeira vacina do recém-nascido porque é extremamente rico em anticorpos, leucócitos, lactoferrina e vitamina A, protegendo contra infecções e alergias. Ele auxilia na eliminação do mecônio — a primeira evacuação do bebê —, previne a icterícia e acelera a maturação intestinal. Com o passar dos dias, o leite maduro se alterna entre a fase anterior, mais fluida, e a posterior, mais esbranquiçada e rica em gordura. Mesmo quando parece mais claro, continua sendo infinitamente nutritivo. Vale frisar que a amamentação cruzada — quando outra mulher amamenta o filho de terceiros — é expressamente proibida pelas normas de vigilância sanitária", alerta a Dra. Gina Tronconi.
Para recém-nascidos prematuros ou de alto risco internados na UTINeo, a oferta do leite materno atua como um recurso terapêutico de urgência.
"Para os bebês prematuros, estimulamos fortemente a colostroterapia, que é a administração do próprio colostro da mãe. Esse alimento funciona como uma barreira protetora contra infecções severas. Além disso, por termos uma UTI Neonatal humanizada, garantimos o livre acesso e a presença constante do pai e da mãe ao lado do leito. A presença dos pais e o contato com a mãe fazem uma diferença gigante e notória na velocidade de recuperação dos recém-nascidos graves", pontua a neonatologista.
Desmame gradual e os desafios da rotina
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade — sem necessidade de água, chás ou outros alimentos — e mantido de forma complementar até os dois anos ou mais.
A Dra. Gina Tronconi observa que o retorno das mães ao mercado de trabalho após a licença-maternidade de quatro meses costuma ser o grande gargalo para a manutenção do aleitamento exclusivo, exigindo planejamento e acolhimento.
"Sempre que houver a necessidade de iniciar o desmame, o processo deve ser gradual para não gerar desconforto físico ou traumas emocionais na dupla mãe-bebê. Orientamos a mãe que vai voltar a trabalhar a iniciar a rotina de ordenha e armazenamento correto do leite em congelador semanas antes, permitindo que o cuidador ofereça o leite materno de reserva na copinho ou colher dosadora, preservando esse vínculo tão valioso", orienta a Dra. Gina.
Maternidade e UTINeo integradas: assistência completa sob o mesmo teto
A tranquilidade da família durante a gestação e o parto depende do acompanhamento bem feito e da confiança na instituição hospitalar diante de eventuais intercorrências. O Dr. Gabriel Miguel enfatiza que a infraestrutura do Ânima Centro Hospitalar foi planejada para oferecer essa retaguarda de alta complexidade em Anápolis.
"A grande vantagem de contar com Maternidade e UTINeo integradas é a segurança de uma assistência completa sob o mesmo teto. Na nossa Maternidade, priorizamos o cuidado e acolhimento da família. Caso o bebê precise de um suporte intensivo, a UTINeo do Ânima oferece tecnologia de ponta e equipe multidisciplinar especializada sem a necessidade de transferência, garantindo agilidade no atendimento e total paz de espírito aos pais", conclui o Dr. Gabriel Miguel.
Acolhimento de ponta a ponta: o suporte da enfermagem e a precisão diagnóstica no pós-parto
A assistência prestada à gestante no Ânima Centro Hospitalar consolida uma linha de cuidado contínua, que abrange desde o acompanhamento pré-natal até o pós-parto imediato. Esse suporte é fortalecido por um parque diagnóstico de alta complexidade e pela atuação próxima da equipe de enfermagem, fundamental na instrução prática e no acolhimento à beira do leito.
A enfermeira Maria Letícia Barros, especialista em saúde da mulher e obstetrícia, explica que a maternidade está estruturada para garantir precisão no monitoramento da saúde materna e no desenvolvimento fetal:
"Buscamos oferecer uma assistência integral e humanizada à gestante, ao bebê e à família, desde o acompanhamento da gestação até o pós-parto. Contamos com uma equipe multiprofissional e uma estrutura que permite oferecer diferentes tipos de consultas, avaliações, exames e recursos diagnósticos, como ultrassonografias obstétricas e morfológicas, ecodoppler, ressonância magnética e exames laboratoriais. Esses recursos são fundamentais para acompanhar a saúde materna e o desenvolvimento do bebê, contribuindo para uma assistência mais completa e segura", destaca.
No pós-parto, a atuação da enfermagem torna-se a principal aliada da mulher para consolidar o aleitamento de forma tranquila e sem dor. A equipe atua desde os primeiros minutos de vida da criança para orientar sobre o manejo prático da amamentação.
"No pós-parto, um dos nossos principais focos é o apoio à amamentação. A equipe orienta a mãe desde os primeiros momentos após o nascimento, principalmente em relação à pega correta, ao posicionamento e aos sinais de uma mamada eficaz. Uma pega adequada favorece a transferência de leite, ajuda a prevenir fissuras e lesões nos mamilos e proporciona mais conforto para ambos. Incentivamos o contato pele a pele e a amamentação o mais precocemente possível, respeitando sempre as condições clínicas da mãe e do recém-nascido. Cuidar do binômio mãe-bebê vai muito além dos procedimentos técnicos: é oferecer informação, acolhimento, segurança e estar presente em um momento tão importante e transformador na vida dessa família", conclui a enfermeira Maria Letícia.
