
Cardiologia e Clínica Médica ganham papel central no acompanhamento do homem nessa fase da vida; histórico familiar, hábitos e fatores de risco ajudam a definir quais exames são realmente necessários
Campo Grande (MS), agosto de 2026 – A chegada aos 40 anos costuma coincidir com uma fase de consolidação profissional, responsabilidades familiares e uma rotina cada vez mais cheia. No meio disso, o cuidado com a própria saúde muitas vezes fica para depois. O Dia dos Pais pode servir como lembrete de que prevenção não significa fazer uma bateria de exames indiscriminadamente, mas entender os riscos de cada pessoa e acompanhá-los antes que doenças silenciosas apresentem complicações.
No Hospital do Coração de Mato Grosso do Sul, a orientação é que o check-up seja individualizado. Pressão arterial, peso, histórico familiar, alimentação, atividade física, tabagismo, sono, uso de medicamentos e doenças já existentes são alguns dos fatores que ajudam o médico a definir o acompanhamento adequado.
Segundo o clínico médico Dr. Aurélio Braz, uma avaliação bem indicada começa antes mesmo dos exames, com uma boa relação entre médico e paciente. “É por meio da escuta médica, realizada de forma calma, que as queixas, os antecedentes, o estilo de vida e as demandas do paciente são acolhidos. A partir disso, a solicitação de exames pode ser individualizada conforme a necessidade”, explica.
A partir dos 40 anos, essa avaliação ganha importância especialmente pela necessidade de prevenção de doenças cardiovasculares, condições relacionadas à síndrome metabólica e outros problemas que podem se desenvolver sem sintomas. Também entram nessa análise aspectos como saúde mental, sono, libido e função sexual, que podem estar associados a fatores psicossociais, hormonais, infecciosos ou metabólicos.
Coração merece atenção mesmo sem sintomas
Na Cardiologia, o fato de o paciente se sentir bem não significa necessariamente ausência de risco. Hipertensão arterial, diabetes e alterações do colesterol podem evoluir silenciosamente por anos e, sem controle adequado, contribuir para complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O cardiologista Dr. Gustavo Anzolin explica que a partir dos 40 anos aumenta progressivamente a probabilidade de surgirem fatores relacionados às doenças cardiovasculares.
“O objetivo não é simplesmente solicitar uma grande quantidade de exames, mas identificar precocemente fatores modificáveis e evitar que a doença cardiovascular se manifeste no futuro”, afirma.
Por isso, a consulta inclui uma investigação ampla, que passa pelo histórico pessoal e familiar, presença de hipertensão, diabetes ou eventos cardiovasculares na família, além de tabagismo, sedentarismo, nível de estresse, peso, circunferência abdominal, pressão arterial e frequência cardíaca.
Exames laboratoriais como glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol e triglicerídeos podem fazer parte dessa avaliação. Outros procedimentos, entretanto, devem ser indicados conforme a necessidade clínica.
O eletrocardiograma pode fornecer informações sobre a atividade elétrica do coração, enquanto ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, MAPA de 24 horas e métodos de imagem têm indicações específicas. A lógica, segundo o especialista, é evitar uma abordagem automática.
“Na prevenção cardiovascular, é fundamental pedir o exame certo, para o paciente certo e no momento adequado”, destaca Anzolin.
Alguns sinais, porém, não devem esperar pelo próximo check-up. Dor ou aperto no peito, falta de ar, redução inexplicada da capacidade física, palpitações acompanhadas de mal-estar, tontura, desmaio ou inchaço nas pernas exigem avaliação. Quadros intensos de dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou sinais sugestivos de AVC demandam atendimento imediato.
Histórico familiar muda o acompanhamento
Dois homens com a mesma idade podem ter riscos completamente diferentes. O histórico familiar é um exemplo. Quando pai, mãe ou irmãos apresentaram doença cardiovascular precocemente, o acompanhamento pode precisar começar antes ou ocorrer com maior frequência.
Isso também não significa que o desenvolvimento da doença seja inevitável. Alimentação adequada, atividade física regular, controle da pressão, glicemia e colesterol, qualidade do sono e abandono do tabagismo continuam sendo fatores importantes para reduzir o risco ao longo dos anos.
Na Clínica Médica, o acompanhamento funciona também como uma porta de entrada para organizar os diferentes aspectos da saúde. Entre os exames que podem ser considerados, conforme a avaliação de cada paciente, estão hemograma, função renal, eletrólitos, perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada e exames voltados a rastreamentos específicos.
O Dr. Aurélio ressalta ainda que a frequência dos retornos depende do perfil individual. Uma pessoa saudável pode manter acompanhamento periódico, enquanto pacientes com doenças diagnosticadas, mudanças de medicação ou novos sintomas podem necessitar de avaliações mais frequentes.
Outros cuidados também entram no radar
A prevenção masculina após os 40 anos não se limita ao coração ou às doenças metabólicas. De acordo com o oncologista Dr. Amauri de Oliveira, histórico familiar, idade e hábitos de vida também ajudam a definir quando determinadas investigações oncológicas devem começar.
Entre os cuidados que podem ser discutidos com o médico estão o rastreamento do câncer de próstata e, conforme idade e fatores individuais, do câncer colorretal. A presença de sintomas como alterações urinárias, sangramento, perda de peso sem explicação ou nódulos também deve motivar avaliação médica, sem esperar pela consulta de rotina.
Atendimento integrado
O Hospital do Coração MS conta com estrutura para acompanhar o paciente em diferentes momentos, desde consultas ambulatoriais até situações que exigem investigação ou atendimento hospitalar.
Na área cardiovascular, estão disponíveis recursos como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, MAPA de 24 horas, métodos de imagem cardiovascular, hemodinâmica, cinecoronariografia e cardiologia intervencionista, além de avaliação de arritmias e cirurgia cardiovascular. A instituição também dispõe de Unidade Coronariana e terapia intensiva cardiológica.
Pela Clínica Médica, o paciente pode ser atendido no pronto atendimento, nas unidades de internação ou seguir em acompanhamento ambulatorial pela Procardio, com possibilidade de encaminhamento para outras especialidades conforme a necessidade.
Mais do que transformar os 40 anos em uma idade para cumprir uma lista fixa de exames, a recomendação é aproveitar essa fase para estabelecer uma rotina de cuidado. O acompanhamento médico permite reconhecer fatores de risco, corrigir hábitos e definir, de maneira individualizada, o que cada homem realmente precisa investigar para preservar saúde e qualidade de vida por mais tempo.
(Imagem em destaque: IA)
