Julho Verde: sinais persistentes na boca, garganta e pescoço exigem atenção

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Campanha alerta para o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que pode atingir regiões como boca, língua, lábios, faringe e laringe


Campo Grande (MS), julho de 2026 – Rouquidão, dor de garganta, feridas na boca e dificuldade para engolir são sintomas que podem estar relacionados a quadros simples e comuns, como infecções, irritações ou inflamações passageiras. No entanto, quando esses sinais persistem por semanas, principalmente se aparecem associados a nódulos no pescoço, sangramentos sem causa aparente ou alterações na sensibilidade da face e da boca, é importante procurar avaliação médica ou odontológica.


O alerta faz parte do Julho Verde, campanha de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que pode atingir diferentes regiões, como boca, língua, lábios, garganta, faringe e laringe. A proposta da campanha não é gerar alarme diante de sintomas isolados, mas reforçar que alterações persistentes precisam ser investigadas para que, quando houver uma doença mais grave, o diagnóstico seja feito de forma precoce.


Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que acometem cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e glândula tireoide. Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, sangramentos sem motivo aparente, nódulos no pescoço, dor de garganta persistente, incômodo ao engolir, mudança na voz e rouquidão estão entre os sinais de alerta que devem ser avaliados por profissionais de saúde.


O oncologista Dr. Amauri de Oliveira, do Hospital do Coração MS, explica que esses tumores recebem esse nome porque têm origem em estruturas da região da cabeça e do pescoço, principalmente garganta, língua, boca, lábios, laringe e faringe.


“Os principais sintomas dos tumores de cabeça e pescoço, quando já estão avançados, podem incluir rouquidão, dificuldade de deglutição, dor, feridas na boca e, em alguns casos, sintomas de parestesia, quando há comprometimento de nervos”, afirma o médico.


Apesar disso, o especialista reforça que os sintomas não devem ser interpretados de forma isolada. Rouquidão e dor, por exemplo, podem ocorrer por processos infecciosos. O ponto de atenção é a duração desses sintomas: se duram mais de 30 dias, devem ser investigados.


Diagnóstico precoce favorece tratamentos menos agressivos


A detecção precoce é um dos principais fatores para melhorar o prognóstico do paciente. De acordo com o INCA, os resultados de controle da doença e sobrevida estão diretamente ligados ao estágio em que o tumor é diagnosticado e tratado. Quando identificado no início, há possibilidade de tratamento menos mutilador e com melhores resultados funcionais, preservando a qualidade de vida. Nestes tipos de tumores, o diagnóstico em fases iniciais pode mudar completamente o percurso do paciente.


“A principal forma de conseguir a cura de um tumor de cabeça e pescoço é quando se diagnostica precocemente. Os diagnósticos mais tardios estão relacionados a tratamentos mais agressivos, como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia, e, quando se consegue a cura, muitas vezes ela vem com maior risco de mutilação”, explica o Dr. Amauri.


Um dos desafios é que os sintomas podem ser confundidos com alterações habituais, especialmente em pessoas expostas a fatores de risco. Segundo o médico, pacientes tabagistas ou que fazem uso frequente de bebida alcoólica podem normalizar sinais como rouquidão constante, irritações na boca ou lesões em lábios e língua, o que atrasa a busca por atendimento.


Tabagismo, álcool e HPV estão entre os fatores de risco


Entre os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a infecção pelo HPV. O INCA também cita exposição solar sem proteção, especialmente relacionada ao câncer de lábio, obesidade e alimentação deficiente em vitaminas, proteínas, frutas, legumes e verduras.


De acordo com Dr. Amauri, em pacientes mais velhos, o uso de cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparecem como fatores importantes. Já entre os mais jovens, o HPV tem ganhado relevância.


“Nos mais velhos, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Nos jovens, hoje, um dos maiores riscos é o HPV”, afirma.


O médico explica que a relação do HPV com alguns tumores de cabeça e pescoço ocorre de maneira semelhante ao que acontece no câncer do colo do útero.


“O vírus HPV causa mutações nas células da região da mucosa, que são células epiteliais. Essas alterações podem evoluir para o câncer”, esclarece.


Estimativas apontam novos casos no país e em Mato Grosso do Sul


As projeções mais recentes do INCA, divulgadas na Estimativa 2026 — Incidência de Câncer no Brasil, apontam 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano no país para o triênio 2026-2028. Desse total, são estimados 12.260 casos em homens e 4.930 em mulheres.


Em Mato Grosso do Sul, o INCA estima 230 novos casos de câncer de cavidade oral em 2026. A mesma tabela aponta 140 novos casos de câncer de laringe no estado no mesmo período. As estimativas são projeções oficiais e não equivalem ao número fechado de diagnósticos, já que os registros consolidados de câncer dependem de coleta, validação e atualização das bases oficiais.


Além da incidência, o diagnóstico tardio segue como preocupação. Pesquisa divulgada pelo INCA em 2025, a partir da análise de mais de 145 mil casos, apontou que 78,2% dos tumores de cabeça e pescoço avaliados foram diagnosticados em estágios III ou IV. Os maiores percentuais de doença avançada foram observados na hipofaringe, orofaringe, cavidade oral e laringe.


Avaliação clínica e exames ajudam a confirmar suspeita


Quando há suspeita de câncer de cabeça e pescoço, a investigação começa pela avaliação clínica, com exame físico, palpação da região do pescoço e análise da cavidade oral. Dependendo do caso, o paciente pode ser encaminhado para especialistas como cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista ou otorrinolaringologista.


Segundo Dr. Amauri, exames de imagem e procedimentos específicos podem ser necessários para confirmar o diagnóstico e definir a conduta.


“A investigação é feita por exame clínico, palpação e avaliação oral. Também pode envolver exames de imagem, como tomografia e ressonância de cabeça e pescoço, nasofibrolaringoscopia e, obviamente, biópsia”, detalha.


As possibilidades de tratamento variam conforme o tipo de tumor, a localização, o tamanho da lesão e o estágio da doença. Entre as abordagens estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias combinadas.


“Atualmente, as principais abordagens terapêuticas compreendem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia. A escolha do tratamento é determinada pelo estadiamento da doença, considerando a extensão e o tamanho da lesão”, explica o oncologista.


Serviço


O Hospital do Coração MS conta com estrutura para avaliação, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer. A unidade dispõe de centro cirúrgico e corpo clínico capacitado para conduzir a investigação e o cuidado dos pacientes oncológicos.


“O hospital tem condições de receber esses pacientes para o diagnóstico, com estrutura de centro cirúrgico e corpo clínico capaz de fazer o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento”, afirma Dr. Amauri.


(Imagem em destaque: Magnific)

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