
Com oscilações entre chuvas isoladas, picos de calor de 33°C e transição para a Primavera, médicas do Ânima Centro Hospitalar orientam a população sobre o agravamento das alergias respiratórias e o perigo da automedicação
Anápolis (GO), setembro de 2026 – A chegada de chuvas isoladas ao Centro-Oeste brasileiro nas últimas semanas pode transmitir à população uma "falsa trégua" em relação aos danos da seca. No entanto, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para o interior de Goiás e o Distrito Federal ainda indica um cenário desafiador: a manutenção de um calor persistente com picos de 32°C a 33°C e períodos de umidade relativa do ar caindo para a casa dos 33% (estado de atenção, muito abaixo do ideal de 60%).
Somada à transição para a Primavera — iniciada em 22 de setembro — e ao acúmulo de partículas de fumaça das queimadas recentes, essa brusca oscilação térmica desestabiliza a proteção natural do organismo. O resultado é a explosão de queixas de rinite, crise de asma, infecções virais e bacterianas severas.
Para orientar a população de Anápolis e região, o Ânima Centro Hospitalar, integrante do Grupo Santa, reuniu suas equipes de Pneumologia e Infectologia para esclarecer os impactos do "combo climático" e detalhar a importância de buscar atendimento médico de urgência antes que uma simples tosse evolua para um quadro grave de insuficiência respiratória.
A agressão invisível aos pulmões
A combinação do ar excessivamente seco com o aumento da polinização típica da Primavera e a fuligem das queimadas provoca uma agressão direta ao sistema respiratório. A médica pneumologista do Ânima, Dra. Carolina Gomes Imai, explica a mecânica desse dano.
"A combinação desses fatores causa uma verdadeira sobrecarga para o sistema respiratório. O ar muito seco provoca ressecamento das mucosas do nariz, garganta e vias aéreas, prejudicando os mecanismos naturais de proteção e limpeza. Ao mesmo tempo, a fumaça das queimadas contém material particulado fino, o MP2,5, que consegue alcançar regiões profundas dos pulmões e desencadear inflamações agudas. A Primavera também merece atenção porque aumenta a circulação de pólen e alérgenos ambientais. Pessoas saudáveis podem apresentar tosse, rouquidão e cansaço, mas para pessoas com rinite ou asma, essa combinação favorece uma piora rápida e importante", alerta a Dra. Carolina.
O perigo da "barreira rompida"
O ressecamento causado pela mudança térmica e pela seca compromete a imunidade local, facilitando a invasão de patógenos. A médica infectologista do Ânima Centro Hospitalar, Dra Deborah Mota Carvajal, detalha como a fumaça "abre as portas" para outras doenças.
"A mucosa respiratória contém fatores de proteção imune contra agressões. Os agressores ambientais, como os resíduos de fumaça, e a baixa umidade que resseca a mucosa, alteram diretamente esses fatores de proteção natural. Com as barreiras fragilizadas, o nosso organismo fica muito mais suscetível à invasão e multiplicação de infecções virais e bacterianas", alerta a infectologista.
Tosse ou crise grave? Os sinais de alerta
Um dos grandes erros da população no período de transição de estações é insistir em xaropes e antialérgicos caseiros. A Dra. Carolina Imai orienta sobre o momento exato em que a irritação se converte em uma urgência pneumológica:
"Um dos principais sinais de alerta é a persistência ou a progressão dos sintomas. Uma irritação pelo ar seco tende a melhorar quando a exposição é reduzida. Quando a tosse permanece por vários dias ou vem acompanhada de chiado (o 'peito apitando'), sensação de aperto e falta de ar para atividades simples — ou se o paciente passa a acordar à noite com tosse —, é imprescindível investigar. Falta de ar intensa, dificuldade para falar, lábios arroxeados e confusão mental são sinais de gravidade máxima e exigem ida imediata ao Pronto-Atendimento."
A Dra. Débora também é taxativa sobre o perigo da medicação por conta própria:
"Os sintomas clínicos de uma infecção respiratória infecciosa grave ou de uma irritação alérgica sazonal podem ser muito semelhantes no início. Para cada etiologia (vírus, bactéria ou alergia) existe um tratamento distinto. Por isso, a automedicação nunca é recomendada."
Prevenção: o que realmente funciona?
Para minimizar os impactos das mudanças de clima, a Pneumologia orienta a adoção de rotinas consistentes de higiene respiratória:
Lavagem nasal: O uso delicado e contínuo de soro fisiológico 0,9% ajuda a remover poeira, partículas e a hidratar a mucosa;
Umidificadores: Devem ser usados com cuidado. Ambientes excessivamente úmidos e sem a correta higienização do aparelho podem proliferar fungos e ácaros;
Hidratação: Beber água abundantemente é a base para a lubrificação sistêmica;
Exposição: Em dias de alta concentração de fumaça, deve-se evitar atividades físicas externas e utilizar máscaras bem ajustadas (PFF2 ou N95) caso a saída seja inevitável.
Estrutura de alta complexidade em Anápolis
O diferencial para o desfecho positivo de uma crise respiratória grave é a retaguarda assistencial de alta complexidade. O Ânima Centro Hospitalar concentra todo o fluxo de emergência e diagnóstico em um único local, oferecendo retaguarda para atendimento ágil e seguro.
A unidade dispõe de Pronto-Atendimento Adulto e Pediátrico 24h, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, pediátrica e neonatal, além de centro diagnóstico de imagem de alta resolução e laboratório próprio.
"Um dos grandes recursos disponíveis no Ânima para o diagnóstico etiológico preciso e imediato de uma infecção respiratória grave é o painel molecular viral. Esse exame ajuda a identificar rapidamente o micro-organismo causador, o que contribui decisivamente para o melhor manejo clínico, assertividade no tratamento e bloqueio de transmissões", conclui a infectologista Dra. Débora.
A investigação integrada no Ânima permite que pacientes crônicos (com asma, DPOC e bronquite) mantenham acompanhamento laboratorial de espirometria de forma ambulatorial, garantindo segurança total em caso de necessidade de suporte intensivo.
(Imagem em destaque: Magnific)
