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Navegação digital auxilia no posicionamento de próteses de quadril

Navegação digital auxilia no posicionamento de próteses de quadril

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Tecnologia utilizada somente no Hospital Santa Lúcia Sul, no Distrito Federal, permite acompanhar o alinhamento do implante durante a cirurgia e ajustar o procedimento às características de cada paciente


Brasília (DF), setembro de 2026 – O posicionamento de uma prótese de quadril envolve decisões sobre o alinhamento do implante e o equilíbrio entre os membros inferiores. Para auxiliar a equipe médica nessas etapas, o Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) utiliza o VELYS Hip Navigation, sistema de navegação digital que processa imagens radiográficas durante a cirurgia e fornece informações para orientar ajustes em tempo real. A tecnologia permite comparar o planejamento pré-operatório com o posicionamento dos componentes, detalhe que auxilia na adequação à anatomia de cada paciente.


Na artroplastia total de quadril, cirurgia que substitui a articulação comprometida por uma prótese, esse acompanhamento ajuda o cirurgião a avaliar a orientação do implante e eventuais diferenças de comprimento entre as pernas. Ao reunir essas informações durante a operação, a plataforma oferece uma referência adicional para a tomada de decisões, associando o planejamento à avaliação feita pela equipe em sala cirúrgica.


À frente da maioria dos procedimentos desse tipo realizados até então no Hospital Santa Lúcia, o cirurgião ortopédico Dr. Marcelo Ferrer viveu recentemente um momento marcante dessa trajetória. Sua 200ª artroplastia de quadril com auxílio da navegação VELYS foi realizada em uma paciente que ele havia operado há 14 anos. A paciente, de 65 anos, havia recebido uma prótese no quadril direito na primeira cirurgia, que permanece plenamente funcional. Agora, diante de um novo comprometimento na região, no lado esquerdo, ela voltou ao mesmo médico para uma nova operação, desta vez com o suporte da navegação digital.


Com 40 anos de atuação, o Dr. Marcelo Ferrer ressalta que sua trajetória tem sido acompanhada pela busca constante de aprimoramento, tanto nos materiais empregados quanto nos recursos tecnológicos disponíveis. “Com a introdução do sistema de navegação, elevamos os padrões de segurança e precisão”, afirma.


Acompanhamento em tempo real


O sistema VELYS Hip Navigation utiliza um software que processa radiografias intraoperatórias e compara o posicionamento do implante com a programação prévia feita pela equipe médica. A ferramenta fornece dados digitais sobre a orientação dos componentes e a simetria no comprimento dos membros inferiores, permitindo avaliar e ajustar esses parâmetros durante a cirurgia.


“Realizamos um 'template' pré-operatório para definir exatamente o objetivo final, corrigindo eventuais discrepâncias de comprimento dos membros, comuns em casos de desgaste articular ou deformidades”, explica o ortopedista. Dessa forma, as imagens permitem confrontar o que foi previsto com as condições encontradas pela equipe. “Uma das grandes vantagens é que não precisamos de incisões adicionais. Além disso, é uma tecnologia que não agrega custos elevados, pois utilizamos a estrutura já existente na sala cirúrgica, sem a necessidade de sensores ou insumos descartáveis extras”, acrescenta.


Evolução das próteses


A navegação digital integra uma transformação mais ampla da cirurgia de quadril, que também envolve o desenvolvimento dos materiais e das formas de fixação dos implantes. Ao longo da carreira, o Dr. Marcelo Ferrer acompanhou a ampliação do uso de componentes não cimentados, cuja fixação ocorre por meio da osseointegração: o osso do próprio paciente cresce junto à superfície do implante, promovendo sua integração biológica.


“Acompanhei praticamente todo o desenvolvimento da cirurgia moderna de quadril. A grande evolução veio com os modelos não cimentados, nos quais o organismo promove a integração biológica, reduzindo drasticamente o risco de soltura a longo prazo. A introdução das cabeças de cerâmica elevou o patamar de durabilidade”, afirma.


Nos últimos anos, o desenvolvimento de polietilenos de alta resistência e de cabeças de cerâmica também contribuiu para reduzir o desgaste dos componentes. Segundo o especialista, esses avanços ampliaram as possibilidades de indicação da artroplastia, inclusive para pacientes mais jovens, conforme a avaliação de cada caso.


Recuperação da mobilidade


A história da paciente Maria Célia dos Santos permite observar a evolução da cirurgia a partir de duas experiências separadas por mais de uma década. Profissional aposentada de serviços aeroportuários, ela conheceu o Dr. Marcelo Ferrer por indicação de uma colega de trabalho. Na época, há 14 anos, estava quase incapacitada de andar por causa da dor provocada por uma necrose na cabeça do fêmur direito.


Após a primeira cirurgia e a recuperação, retomou sua rotina profissional e trabalhou até se aposentar, em 2023. Já em 2026, os sintomas começaram com fisgadas internas na virilha esquerda. Inicialmente, Maria Célia acreditou que o problema pudesse ser tratado com fisioterapia, mas uma ressonância identificou uma artrose severa. Na avaliação com o Dr. Ferrer, recebeu a indicação de uma nova cirurgia.


O procedimento tornou-se a 200ª artroplastia de quadril realizada pelo médico com auxílio da plataforma VELYS. Para a paciente, a experiência foi marcada principalmente pela diferença já nos primeiros dias de recuperação. “Há 14 anos, fiquei 30 dias sem colocar o pé no chão. Era só cama, cadeira de rodas, cadeira de banho e vice-versa. Agora, já no segundo dia, comecei a colocar o pé no chão e dar uma caminhada”, finaliza Maria Célia, moradora da Região dos Lagos, em Sobradinho, no Distrito Federal.

O uso deste site e das informações aqui disponíveis está sujeito aos termos de uso. As informações aqui fornecidas não substituem orientações médicas. Para diagnóstico e tratamento, consulte sempre um profissional de saúde.

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