
Dados apontam que transtornos na coluna estão entre as principais causas de afastamento laboral no país. Especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e de exames preventivos
Brasília, julho de 2026 – O estilo de vida moderno, caracterizado pelo sedentarismo e pelo uso contínuo de dispositivos digitais, tem gerado um impacto severo na saúde musculoesquelética da população, com atenção especial para as lesões na coluna vertebral. Esse cenário costuma se agravar em períodos de recesso e férias, quando a mudança de rotina pode levar tanto ao repouso absoluto inadequado quanto ao retorno abrupto a treinos intensificados sem a preparação física necessária. A dor lombar (lombalgia) surge como uma resposta direta a esse desequilíbrio, demandando estratégias eficientes de prevenção e diagnóstico proativo.
Segundo dados de 2020 divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a lombalgia é a principal causa de invalidez e limitação funcional no planeta, afetando cerca de 619 milhões de pessoas, e deve atingir 843 milhões de casos até 2050. No cenário brasileiro, de acordo com dados oficiais da Previdência Social referentes ao ano de 2025, a dor na região dorsal ou torácica (dorsalgia) foi a causa de 237.113 benefícios por incapacidade temporária concedidos no país. No mesmo período de 2025, os transtornos dos discos intervertebrais motivaram outros 208.727 afastamentos.
Juntos, esses diagnósticos representam uma parcela significativa dos 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária emitidos pelo órgão previdenciário no ano passado. O quadro é agravado pelo índice de inatividade física no país: conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 46% da população adulta brasileira é considerada insuficientemente ativa. A falta de atividade física regular, por sua vez, pode contribuir para o comprometimento da sustentação muscular da coluna.
A "epidemia" das telas
A mudança no perfil dos pacientes que buscam atendimento clínico nos últimos dez anos é perceptível nos consultórios de ortopedia, segundo o Dr. Montaury Palhares, ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Lúcia Gama (HSLG). “A incidência de dores nas costas deixou de ser uma exclusividade de indivíduos que realizam esforço manual pesado, passando a acometer jovens e adolescentes expostos ao uso excessivo de computadores, celulares e tablets. A literatura médica também associa esse incremento à consolidação do regime de home office, especialmente a partir de 2020”, destaca o médico.
Os erros posturais decorrentes do uso de tecnologias são previsíveis e mecânicos. Entre os mais comuns, destaca-se a postura em cifose, caracterizada pelo encurvamento do tronco para a frente com projeção dos ombros, que gera uma sobrecarga contínua sobre a musculatura paravertebral. Da mesma forma, a manutenção do pescoço em flexão prolongada para visualizar telas tensiona severamente a região cervical, enquanto a rotação desalinhada do tronco e a ausência de pausas completam os fatores de risco.
O sedentarismo atua diretamente no enfraquecimento do core, conjunto muscular profundo do abdômen e das costas responsável pela estabilização da coluna. Sem essa proteção, a estrutura fica exposta a sobrecargas. Além disso, a falta de movimento regular compromete a nutrição e a hidratação dos discos intervertebrais, acelerando os processos de degeneração discal e elevando a probabilidade de desenvolvimento de hérnias de disco.
Quando a dor exige avaliação
Diferenciar um desconforto muscular passageiro de uma lesão estrutural crônica é importante para o sucesso do tratamento. Os especialistas preconizam que qualquer dor na região das costas que persista por mais de duas semanas, mesmo após o uso de analgésicos e a adoção de repouso relativo, deve ser submetida a uma investigação médica.
Existem sinais de alerta específicos que sugerem a presença de compressões nervosas ou radiculopatias significativas. A irradiação da dor para os membros superiores ou inferiores (descendo pela lateral ou pela frente da coxa), acompanhada de sintomas como formigamento, dormência ou sensação de queimação nos pés e pernas, indica a necessidade de avaliação especializada imediata.
Quadros mais severos, que envolvam fraqueza muscular manifestada pela dificuldade de levantar o pé ou caminhar, exigem atenção médica urgente. Casos raros de perda de controle vesical ou intestinal constituem emergências médicas que necessitam de intervenção imediata, pois apontam para compressões neurais graves na cauda equina.
Diagnóstico por imagem
A medicina diagnóstica por imagem cumpre a função de mapear as estruturas anatômicas de forma precisa, permitindo graduar a gravidade das patologias e diferenciar contraturas musculares simples de condições estruturais complexas, como estenoses do canal vertebral ou discopatias. O Dr. Gustavo Souza, neurorradiologista e coordenador de radiologia do Hospital Santa Lúcia, esclarece que a escolha entre os métodos de imagem depende estritamente da avaliação da situação clínica pelo médico assistente, seja em caráter de emergência ou eletivo.
A ressonância magnética da coluna destaca-se como um dos exames mais completos, permitindo analisar detalhadamente tanto os discos intervertebrais quanto as partes moles e a musculatura paravertebral. “O avanço tecnológico das plataformas de imagem tem se concentrado na otimização da experiência do paciente e na precisão dos resultados. As evoluções mais recentes incluem a redução do tempo de aquisição de sequências nas salas de exame, a diminuição do uso de contrastes e a redução das doses de radiação em exames de tomografia computadorizada, além da incorporação progressiva de inteligência digital no processamento das imagens”, detalha o especialista.
O diagnóstico obtido em fases iniciais da doença proporciona ao paciente uma probabilidade maior de melhora clínica, favorecendo a indicação de condutas terapêuticas menos invasivas. Determinados perfis, como pacientes idosos ou indivíduos com histórico de neoplasias prévias, exigem um monitoramento por imagem regular para o controle de patologias degenerativas ou rastreamento de metástases.
Cuidados durante o recesso
A prevenção de crises de lombalgia envolve medidas simples. Recomenda-se ajustar o monitor do computador no nível dos olhos, manter o teclado alinhado à altura dos cotovelos e os pés devidamente apoiados no chão. O uso de suportes ou almofadas lombares auxilia na manutenção da curvatura fisiológica da coluna, enquanto intervalos a cada 30 minutos para caminhar e alongar também podem ajudar. Ao utilizar celulares, o hábito de elevar o aparelho até a linha de visão evita a flexão excessiva da cervical.
Durante as viagens de férias, orienta-se realizar pausas a cada duas horas para caminhar e realizar alongamentos leves. Pacientes que já possuem diagnóstico de lesões estruturais, como hérnias, devem evitar movimentos bruscos de rotação ou flexão excessiva do tronco, mantendo uma rotina de exercícios físicos moderados e de fortalecimento do core sob orientação profissional, garantindo um recesso seguro e sem dores.
Para quem deseja aproveitar o período de recesso para colocar a saúde em dia, o Centro Radiológico de Brasília (CRB), Centro Radiológico do Gama (CRG) bem como os Centros de Diagnóstico por Imagem do Hospital Santa Lúcia (HSL), disponibilizam condições e valores especiais durante os meses de férias para a realização de exames preventivos de imagem, permitindo que o paciente realize o mapeamento com agilidade técnica e segurança.
(Imagem em destaque: Magnific)
