
Mudança na régua da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) classifica o histórico "120/80 mmHg" como pré-hipertensão. Especialista do Ânima Centro Hospitalar destaca a importância do diagnóstico precoce
Anápolis (GO), abril de 2026 – O Dia Nacional do Combate e Prevenção à Hipertensão (26/04) traz um alerta renovado em 2026 após a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. A nova norma redefine os critérios de normalidade e coloca o valor de 120/80 mmHg — historicamente considerado o "padrão ouro" — na categoria de pré-hipertensão.
A mudança reflete estudos que demonstram um aumento significativo no risco cardiovascular mesmo em níveis antes vistos como normais, exigindo uma postura proativa antes que a doença se consolide.
De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, a prevalência da hipertensão entre adultos no Brasil saltou para quase 30%, acompanhando o avanço da obesidade e do diabetes. O maior desafio clínico, entretanto, permanece na eficácia do tratamento: embora a maioria dos pacientes tenha o diagnóstico, estima-se que apenas um terço consegue manter a pressão efetivamente controlada.
Para o Dr. Giuliano Seraphim, coordenador da Cardiologia do Ânima Centro Hospitalar, a reclassificação do "12 por 8" é uma medida preventiva estratégica.
"Muitos pacientes se perguntam por que o que era ótimo agora é motivo de atenção. A resposta está na proteção de órgãos-alvo, como rins, coração e cérebro. O risco de lesões começa a subir silenciosamente antes mesmo da hipertensão estágio 1. Para quem tem 12/8 hoje, o cenário muda: não é mais apenas 'vigiar', mas sim adotar um protocolo de acompanhamento semestral, com exames de perfil lipídico, glicemia e, muitas vezes, uma monitorização residencial (MRPA) para descartar a hipertensão mascarada", explica o cardiologista.
Quem deve ter atenção redobrada?
A nova diretriz destaca perfis que devem ser monitorados com maior rigor, mesmo apresentando níveis de pré-hipertensão:
Histórico familiar: pessoas com pais hipertensos;
Sedentários e obesos: especialmente aqueles com gordura abdominal acentuada;
Diabéticos: a interação entre glicose alta e pressão elevada acelera danos vasculares;
Pacientes com apneia do sono: roncos e pausas respiratórias noturnas são gatilhos para a pressão alta.
Guia prático: como aferir a pressão corretamente?
Para um diagnóstico preciso e evitar o "efeito do jaleco branco" (pressão que sobe apenas no consultório), o Dr. Giuliano orienta o preparo correto para a aferição:
Repouso: sentar-se e relaxar por pelo menos 5 minutos em ambiente calmo;
Posição: costas apoiadas, pernas descruzadas e pés no chão;
Braço: mantê-lo na altura do coração, apoiado em uma mesa e com a palma da mão para cima;
Esvazie a bexiga: estar com a bexiga cheia pode elevar falsamente os níveis;
Silêncio: não falar durante a medição.
Aprofundando a prevenção: além do sal
A prevenção da hipertensão no Ânima Centro Hospitalar é tratada como um ajuste de estilo de vida multifatorial. "Não basta apenas tirar o saleiro da mesa. A saúde das artérias depende de uma ingestão rica em potássio (frutas e vegetais), do gerenciamento do estresse e, crucialmente, da higiene do sono. Dormir mal impede o descenso noturno da pressão, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular", reforça o Dr. Giuliano.
