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Hospital Santa Lúcia realiza primeira cirurgia com coração artificial

Hospital Santa Lúcia realiza primeira cirurgia com coração artificial

25 de fev. de 2026

25 de fev. de 2026

Procedimento ainda considerado raro no mundo, a implementação de dispositivo de assistência ventricular esquerdo foi realizada no Hospital Santa Lúcia Sul e coloca a instituição entre os centros mais habilitados para alta complexidade cardíaca do país

Brasília, fevereiro de 2026 – O Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), da Asa Sul, realizou, em janeiro, a primeira cirurgia para implantação de um coração artificial de sua história. O procedimento, indicado para pacientes com insuficiência cardíaca avançada e considerado raro na literatura médica, marca um passo importante para ampliar o acesso a terapias de alta complexidade cardíaca na capital federal.

A cirurgia foi conduzida por equipe multidisciplinar especializada e coordenada pelo cardiologista Dr. Vitor Salvatori, responsável pelos programas de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) e do Transplante Cardíaco e Insuficiência Cardíaca do Hospital Santa Lúcia. A paciente possui 69 anos e apresentava quadro de insuficiência cardíaca terminal, com sucessivas internações e dependência de medicamentos intravenosos para manter a função circulatória.

  • Saiba Mais: O Hospital Santa Lúcia oferece o suporte de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), um recurso de alta complexidade para suporte pulmonar e cardíaco que integra tecnologia de ponta e equipes preparadas para casos graves e de alta complexidade. Ele funciona como um pulmão artificial, removendo CO2 e adicionando oxigênio ao sangue, e é utilizado para casos de falência pulmonar ou cardíaca grave, juntamente com outros recursos como o Programa de Assistência Ventricular (VAD). A tecnologia está disponível na nova UTI C3 – Premium Care, inaugurada em setembro de 2025 na unidade da Asa Sul.

O chamado “coração artificial” é, na prática, um dispositivo de assistência ventricular esquerda (DAVE), tecnologia que substitui a função do ventrículo esquerdo — a principal câmara de bombeamento do coração e, geralmente, a mais comprometida nos casos avançados da doença. Esses dispositivos vêm sendo utilizados por diversos países desde 2007 e já beneficiaram mais de 60 mil pacientes no mundo, permitindo sobrevida e recuperação funcional mesmo em cenários antes considerados sem alternativas terapêuticas.

Segundo o Dr. Vitor Salvatori, a insuficiência cardíaca avançada é a principal condição que leva pacientes à fila de transplante cardíaco. “O dispositivo permite que pessoas que não podem ser transplantadas ou que aguardam um órgão tenham uma vida funcional, livres da insuficiência cardíaca terminal. Hoje, ele também pode ser utilizado como terapia definitiva, o que chamamos de terapia de destino”, explica.

Procedimento raro ou pouco frequente

No Brasil, tanto o transplante cardíaco quanto o implante desses dispositivos ainda são procedimentos pouco frequentes. O país realiza cerca de 400 transplantes por ano, quando a estimativa de necessidade seria próxima de 2 mil, número semelhante ao observado nos Estados Unidos e na Europa. Em relação aos dispositivos de assistência ventricular, embora cerca de 2 mil pacientes por ano pudessem se beneficiar da tecnologia, apenas entre 78 e 80 procedimentos foram realizados em aproximadamente 15 anos.

Esse cenário começa a mudar com a incorporação progressiva da tecnologia aos sistemas público (SUS) e suplementar de saúde. Nos últimos anos, o dispositivo passou a ter recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e, posteriormente, foi incluído na tabela TUSS, tornando-se cobertura obrigatória pelos planos de saúde, conforme regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Avanços tecnológicos recentes também foram decisivos para ampliar a segurança e a durabilidade do tratamento. O dispositivo a ser implantado no Hospital Santa Lúcia é o HeartMate 3, considerado a geração mais avançada de assistência ventricular disponível atualmente. Ele utiliza tecnologia de levitação magnética completa, o que permite fluxo sanguíneo mais suave e redução significativa de complicações, como a trombose da bomba.

Estudos clínicos de seguimento superior a seis anos demonstraram queda drástica nos eventos de trombose, de cerca de 30% para aproximadamente 1%, praticamente eliminando a necessidade de troca do dispositivo. “A superioridade foi tão expressiva que modelos anteriores deixaram de ser utilizados, tornando o HeartMate 3 a principal opção para pacientes em terapia de destino no Brasil e no mundo”, afirma Dr. Vitor.

No caso da paciente, que foi operada em janeiro, a equipe optou pela terapia de destino em razão da idade e das condições clínicas associadas a ela. Com 69 anos, histórico de múltiplas internações, hipertensão pulmonar e piora progressiva da função renal, o implante do dispositivo pôde oferecer maior previsibilidade terapêutica e a possibilidade de recuperação da qualidade de vida da paciente, sem a dependência contínua de internações ou diálise.

A expectativa é que, após a cirurgia e o período de adaptação, a paciente possa retomar atividades cotidianas com autonomia, seguindo protocolos específicos de acompanhamento. Em outros perfis, especialmente em pacientes mais jovens, o dispositivo pode funcionar como ponte para o transplante, estabilizando o quadro clínico até a disponibilidade de um novo órgão.

De acordo com o cardiologista, além do impacto individual, a ampliação do uso de dispositivos de assistência ventricular (coração artificial) tem o potencial também de reduzir a mortalidade em filas de transplante. No Distrito Federal, por exemplo, a taxa de óbitos entre pacientes que aguardam um coração chega a cerca de 41%, índice considerado elevado. “Com a estabilização clínica proporcionada pelo dispositivo, é possível manter o paciente apto ao transplante por mais tempo e em melhores condições clínicas”, afirma Salvatori.

Estrutura de ponta e linha de cuidado integrada

A realização desse procedimento reflete a consolidação de uma linha de cuidado estruturada para insuficiência cardíaca no Hospital Santa Lúcia. A instituição conta com protocolos avançados e específicos para identificação precoce de pacientes com insuficiência cardíaca avançada, acompanhamento ambulatorial intensivo e integração entre cardiologia clínica, cirurgia cardíaca, UTI, anestesia e reabilitação.

Entre os diferenciais está o day clinic de cardiologia, que possibilitou que a paciente aguardasse o implante em casa, com infusão protocolar de medicamentos intravenosos de forma intermitente, evitando internação prolongada. Outro ponto relevante foi a reversão da piora renal, afastando a necessidade de diálise graças à estabilização hemodinâmica proporcionada pela estratégia adotada.

A estrutura necessária para uma cirurgia desse porte inclui centro cirúrgico especializado, banco de sangue, equipe de anestesia experiente e UTI treinada para o manejo hemodinâmico em tempo real, com capacitação específica para pacientes com assistência ventricular. “Tudo isso já faz parte da rotina do Hospital Santa Lúcia”, destaca o coordenador de ECMO do Hospital Santa Lúcia.

O cuidado ao paciente é multiprofissional e contínuo, envolvendo cirurgiões cardíacos, cardiologistas, intensivistas, fisioterapeutas e enfermeiros especializados. Um dos papéis centrais é o da enfermeira navegadora, também chamada de VAD Coordinator, responsável por acompanhar o paciente ao longo de toda a jornada assistencial, desde a internação até o seguimento ambulatorial.

Outro diferencial da Cardiologia do Hospital Santa Lúcia é o uso de sistemas de prontuário integrados a ferramentas de inteligência artificial, capazes de rastrear automaticamente pacientes com insuficiência cardíaca descompensada em todas as unidades do Grupo Santa. “Somente em 2025, foram identificados 135 pacientes com potencial indicação para terapias avançadas, dos quais parte já foi encaminhada para avaliação especializada”, lembra Dr. Vitor.

Além disso, os pacientes têm à disposição a Unidade de Terapia Intensiva C3 – Premium Care, inaugurada em setembro de 2025, em formato inédito no Distrito Federal, oferecendo recursos diferenciados de monitoramento, protocolos clínicos avançados e outros. Com leitos amplos, climatização individual, banheiros privativos e mobiliário pensado também para os acompanhantes, a nova unidade incorpora ferramentas tecnológicas de última geração. O monitoramento multiparamétrico é integrado ao prontuário eletrônico, permitindo que prescrições, exames e intervenções estejam conectados em tempo real. Há também suporte de telemedicina interna para uma segunda opinião imediata de especialistas em diferentes áreas e alarmes inteligentes que priorizam alertas críticos, reduzindo a fadiga da equipe de saúde. Para familiares e pacientes, as solicitações de serviços podem ser realizadas diretamente pelo celular, enquanto TV’s com programação de entretenimento, conexão com dispositivos e acesso a informações úteis trazem ainda mais comodidade e completam o ambiente.

Outro diferencial da UTI C3 – Premium Care é a UTI Presidencial, uma suíte de 80m² que combina protocolos VIP, privacidade e sofisticação, incluindo atendimento com concierge 24 horas. Os quartos (seja da UTI C3 Premium Care ou da UTI Presidencial) foram desenhados para suportar casos de altíssima complexidade, como cirurgias cardíacas de risco, reoperações e procedimentos neurológicos delicados, e contam ainda com programas avançados, como o ECMO e a assistência ventricular artificial (VAD), para pacientes com insuficiência cardíaca avançada. É a estrutura mais completa e moderna de UTI no Distrito Federal.

A realização do primeiro implante de coração artificial no Hospital Santa Lúcia representa não apenas um marco importante institucional, mas também o fortalecimento do papel do Distrito Federal como polo de cardiologia de alta complexidade. “O mais importante é oferecer acesso a uma linha de cuidado completa, que permita ao paciente chegar à tecnologia certa, no momento certo”, resume o Dr. Vitor Salvatori.

“O implante do dispositivo de assistência ventricular só é possível quando existe uma linha de cuidado bem estruturada, com equipe treinada e especializada, e acompanhamento contínuo. O Hospital Santa Lúcia reúne esses requisitos e passa a integrar um grupo seleto de maiores centros capacitados para essa terapia”, conclui o cardiologista.

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